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Conheça mais sobre o projeto da professora da Faculdade São Luís de França aprovado pela FAPITEC


às 17h51
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No dia 13 de julho de 2021, a professora da Faculdade São Luís de França, Sara Rogéria submeteu seu primeiro projeto à Fundação de Apoio à Pesquisa e Inovação Tecnológica (FAPITEC), o que resultou na 22ª colocação de 55 colocados.  O resultado saiu recentemente no dia 27 de agosto de 2021.

De acordo com Sara, esse projeto foi elaborado em uma semana. “Como ele faz parte de minha prática enquanto professora de literatura, ele foi apenas parido nesse intervalo de tempo, mas gestado desde que comecei a inserir em minhas aulas na graduação e na pós livros que se apresentam a partir de uma perspectiva literária e teórica antirracista. Trazer isso para o ensino fundamental acabou por ser a parte prática daquilo que ensino aos meus alunos/as graduandos e pós-graduandos na área de linguagens. Um trabalho na base faz toda a diferença”, conta.

O projeto se chama “De um Sítio Amarelo a Wakanda: as narrativas infantojuvenis como instrumentos na valorização e fortalecimento das identidades étnicas negras e promoção de uma educação antirracista”. Que se vincula ao Observatório dos preconceitos na rede estadual de ensino de Sergipe: ações para a resolução de conflitos intergrupais nas escolas e será desenvolvido na Escola Estadual 08 de julho, mais precisamente com alunos dos anos finais do ensino fundamental, sujeitos e sujeitas por vezes vítimas das práticas racistas que se presentifica em ambientes escolares de forma acachapante.

Conhecer narrativas que apresentem personagens negros e negras para além dos estereótipos, que limitam as pessoas às generalizações, e preconceitos que, por sua vez, enquadram as pessoas de acordo com seus grupos étnicos e/ou sociais, apresenta-se como uma forma de contribuir para o enfrentamento do preconceito racial na escola, principalmente naquelas que ofertam os anos finais do ensino fundamental, momento de formação, de estabelecer relações afetivas, viver aventuras típicas da idade.

Reconhecer-se, enxergar-se, ver-se enquanto agente de ações positivas, relevantes, propositivas têm valor incomensurável para esse estudante negro/a uma vez que “as práticas de significação e os sistemas simbólicos por meio dos quais os significados são produzidos, posicionando-os como sujeito” servem para compreender como se dá esse reconhecer-se e ao outro e, dessa forma, o quanto é necessária a promoção de um ambiente que promova respeito, tolerância e paz (Silva (2014, p. 17-18).

O racismo priva o adolescente negro de tais momentos e, ao invés de laços, são criados hiatos por vezes difíceis de superar. Um desses traumas bem recorrentes se dá quanto à aparência dos cabelos das meninas negras. Esse é um hiato que tem por resultado a negação das próprias características e uma busca por aceitação a qualquer custo. Nesses casos o que se tem é uma prática depreciativa, negativa que promove violência física e psicológica. Sendo assim, a pessoa não acorda um belo dia e diz ‘hoje vou ser racista’.

Pensar nisso é fulcral na valorização e fortalecimento das identidades étnicas negras e, por extensão, em uma educação antirracista que promova diálogos frutíferos no ambiente escolar colaborando para o desenvolvimento da cultura da paz e não da violência, do protagonismo e não do apagamento, da multiplicidade de vozes e não dos silêncios.

Dada essa realidade, e por saber que a literatura é um meio eficaz para pensar questões que são postas no cotidiano de adolescentes e jovens, o projeto consiste em desenvolver, através da compreensão das representações literárias em textos infantojuvenis que trazem o protagonismo negro como tema central, uma prática de enfrentamento ao racismo no ambiente escolar a partir do fortalecimento do sentimento de pertencimento étnico negro e, por extensão, do entendimento do que são racismo, preconceito e estereótipo e como eles se manifestam nas relações em ambientes escolares.

A professora diz que se sente muito feliz com a aprovação do projeto e que está sendo uma novidade lidar com um público diferente do qual ela está acostumada. “Apesar de estar dentro do escopo de minha tese de doutoramento e de minha prática docente no ensino superior e ensino médio, é a primeira vez que vou lidar com pré-adolescentes e, confesso, fui fisgada pelo meu novo público-alvo”, diz. 

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