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Crianças e o isolamento social- Psicóloga explica os impactos da pandemia causados nessa geração


às 19h43
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Deixar de ir à escola e não poder brincar com colegas, faz com que as crianças percam a socialização e sintam os impactos na educação. Por outro lado, o convívio familiar em potencial, são importantes para o desenvolvimentode habilidades e hábitos importantes para os pequenos.

Neste contexto, um dos fatores que merece destaque é a rotina. A psicóloga e professora na Faculdade São Luís de França Marcela Montalvão, explica que os impactos são positivos e negativos. Positivos porque elas puderam ficar mais tempo com as famílias, especialmente no período de isolamento total, não precisaram acordar tão cedo e muitas delas, que possuem famílias mais leves, puderam verificar que aprender o conteúdo da escola não significa ficar integralmente sentado na cadeira.

“As famílias puderam desfrutar de mais tempo com os filhos e isso implicou orientação direta no desenvolvimento da criança. Negativa, se as crianças foram punidas pelo comportamento agitado, natural da idade, ou sofreram com os medos exagerados dos pais e de avós a respeito da morte. É uma tristeza ver crianças atônitas, desesperançosas, achando que vão morrer a qualquer momento”, explica.

A ausência de atividades coletivas representa uma grande perda nesta fase da vida. “A socialização fora de casa estimula que a criança se expresse. Em casa, pequenos gestos são compreendidos facilmente, pois as manias e jeitos de falar são aprendidos culturalmente dentro da família. Na escola, esses ‘jeitos familiares’ não vão se comunicar, logo a criança vai precisar se expressar de forma apropriada. A consequência disso é uma criança com conexões neuronais mais amplas, o que pode resultar em crianças mais inteligentes. Outro fator é que a criança entra em contato com outros sistemas de crenças, o que o ajuda a entender e aceitar a diferença”, enumera Marcela.

A psicóloga ainda ressalta que a ausência de socialização se torna perigosa, se a criança vive em uma família rígida, que impõe deveres em troca de afeto. Nestes casos, nada que a criança faz é considerado bom e a criança desenvolve insegurança, baixa autoestima, ansiedade a respeito do futuro e não aprende. No entanto, se a família é aberta ao diálogo, se entendeu que a Pandemia gerou mudanças na vida das pessoas e consequentemente na dela, não há problema em ficar em casa.

“Afinal, o convívio com a família é a primeira forma de socialização da criança. Assim, antes uma criança dentro de casa com um adulto que ensine a ler, a admirar a natureza, a assistir desenhos no Youtube, do que ao lado de outras crianças agressivas, que praticam bullying ou assistem a conteúdos televisivos impróprios para a idade”, alerta.

Apesar dos impactos negativos da pandemia em toda uma geração de crianças provocarem grande preocupação nos pais, a psicóloga Marcela Montalvão acredita que é possível, sim, extrair aprendizados e desenvolver habilidades diante das mudanças e da nova situação.

“Buscando interagir com a criança, estimulando que faça coisas diferentes. Que pode ser assistir a um filme educativo, colorir e desenhar em casa, praticar jogos de tabuleiro, para desenvolvimento cognitivo e da memória. O adulto que conseguir fazer isso, certamente estará contribuindo para uma criança mais colaborativa, inteligente, feliz e independente. Fora que estas pausas de auxílio ao outro fazem com que o adulto relaxe, se distraia, desenvolva empatia, seja mais criativo e inovador, o que certamente vai aumentar a renda dele no fim do mês”, avalia a professora da Faculdade São Luís de França.

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