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Futuro do trabalho: quais as novas demandas do mercado?


às 11h37
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A coordenadora do núcleo Carreiras da Faculdade São Luís de França,  Ana Paula Morais Lima, conta nesta entrevista ping pong quais são as competências mais buscadas pelas empresas atualmente. Com a pandemia, habilidades comportamentais e tecnológicas lideram os perfis de profissionais mais requisitados. Confira mais abaixo:
1 – O home office e a seleção de profissionais de forma totalmente online, tendências em decorrência da pandemia, são ações que devem continuar de forma permanente? Mesmo num futuro “pós pandemia”? É esperado que as empresas concedam condições adequadas aos trabalhadores para executar essas tarefas?
Sim, já estamos percebendo que essas ações tanto para o trabalho home office, bem como a seleção de profissionais de forma online estão sendo adotadas pelas empresas. Durante o momento de isolamento social, empresas tiveram que aderir a ambos os processos. É natural que “empresas” tenham tendência a não querer sair da zona de conforto, que ao meu pensar é como todos estávamos antes da pandemia, nem o home office, nem seleção de forma online são ações novas, porém elas não eram tão praticadas. A pandemia de certa forma tirou as “empresas” da zona de conforto. Tivemos que nos adaptar, o processo não foi fácil por várias questões envolvidas, principalmente as questões culturais. Mas esse período passou, e agora com a prática, conseguimos perceber os benefícios destas ações. Esse futuro pós Pandemia já chegou, um exemplo é o meu, mesmo com a abertura da instituição onde trabalho, continuo trabalhando home office e a tendência é continuar dessa forma. A produtividade melhorou. Só em não ter o tempo de deslocamento de casa para o trabalho, já dá um impulsionamento nessa produtividade pois não tem o estresse de deslocamento. Espera-se sim que as empresas deem condições para os colaboradores executarem as tarefas, principalmente a níveis tecnológicos, a exemplo de acessos a sistemas internos. Mas vale a pena ressaltar que, em se tratando do trabalho home office, a adequação ao trabalho é muito mais do trabalhador, pois não é fácil estar dentro da própria residência e ter que executar as tarefas do trabalho, isso exige muita disciplina.
2 – Quais elementos das relações de trabalho e de configurações dentro das empresas, ganharam mais atenção do mercado por conta do Covid-19? (por ex: priorizar a segurança e saúde dos funcionários).
Sem dúvida a segurança da saúde de seus funcionários ganhou mais atenção no mercado por conta da Covid-19. Antes nesse assunto as empresas se voltavam apenas a exames periódicos, muito por ser um item de exigência de órgãos regulatórios. Porém, com a chegada da covid-19, percebeu-se que se faz necessário que esta área fosse muito mais priorizada. Além disso, tenho notado que o atendimento ganhou uma atenção extra no mercado, tendo em vista que muitas das relações cliente/fornecedor passou a ser de forma totalmente virtual, e sabemos que existe uma diferença muito grande entre o “olho no olho” e o “virtual”. O único ambiente no mercado de trabalho que já tinha isso alinhado era o call center e de repente todo colaborador virou uma espécie de “call center” sem estar preparado para isso. 
3 – Quais desafios impostos pela pandemia no ambiente de trabalho devem persistir mesmo quando a covid-19 estiver sob controle ou superada?
Dois macros desafios aconteceram durante esta pandemia: o tecnológico e o de relações socioemocionais. E estes, ao meu ver, continuaram sendo os grandes desafios. Ambos envolvem habilidades técnicas e emocionais que levam um tempo para serem adquiridas. Porém a boa notícia é que apesar das habilidades socioemocionais serem habilidades que ultrapassam o perfil técnico e avançam sobre a esfera comportamental, elas são mutáveis. Sendo assim elas podem ser adquiridas, desenvolvidas e aperfeiçoadas. Tenho percebido em muitas “falas” de colegas externos e de trabalho que a cooperação e aproximação entre áreas aumentaram durante o isolamento, o que reforça ainda mais a questão da importância da presença das habilidades socioemocionais. Essa cooperação e aproximação geraram um clima organizacional mais leve e menos competitivo internamente e ajudaram a alavancar os negócios e talvez este seja um dos motivos das “empresas” terem percebido a importância da continuidade delas. 
4 – É possível afirmar que a presença massiva do expediente online no mundo do mercado de trabalho resulte numa provável demanda por trabalhadores qualificados e que isso suba junto com seus salários? Quais habilidades técnicas e humanas serão mais valorizadas?
Essa demanda já existia antes da pandemia, empresas já buscavam por profissionais mais qualificados, principalmente, nas áreas tecnológicas. Infelizmente as pessoas pensavam que saber utilizar Whatsapp, Instagram dentre outras redes sociais era uma qualificação tecnológica. Muitas pessoas não sabem nem ligar um computador, anexar arquivos em e-mails, dentre outras ações que já eram necessárias. Durante a pandemia isso aumentou exorbitantemente e as empresas sentiram a escassez de profissional qualificado. Contudo, para esse momento em que a retomada da economia ainda acontece, não dá para se falar em um aumento de salário que acompanhe esta qualificação. O que posso afirmar é que essa qualificação aumentará consideravelmente a empregabilidade do trabalhador e aí sim pode-se pensar em aumentos salariais pela escassez de mão de obra. Tenho notado em leitura que faço sobre o assunto e em vagas de emprego que recebo que as habilidades mais valorizadas serão: equilíbrio emocional, adaptabilidade, organização, receptividade a feedback (saber ouvir), comunicação e flexibilidade. Além de todas as habilidades técnicas que envolvam o ambiente tecnológico tanto para uso, exemplo, e-mails, pacote office, como também para criação, exemplo, programação (em uma linguagem específica), ferramentas de organização e produtividade e aplicativos específicos.

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