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Uso de regionalismo no BBB e a riqueza linguística de nosso país

Coordenadora do curso de Letras da Faculdade São Luís de França, Sara Rogéria, explica sobre regionalismo e o porquê deste causar estranhamento em algumas situações

às 20h29
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O Big Brother Brasil pauta diversas conversas da população brasileira diariamente, principalmente dentro das redes sociais. E um dos assuntos que mais repercutiu nos últimos 15 dias foi: o que é “basculho”? O termo foi utilizado pelo participante Gil durante a discussão com outra pessoa confinada, gerando dúvidas até mesmo dentro da casa do reality. O termo nada mais é que uma expressão regional pernambucana e significa “resto, lixo, algo que não se aproveita ou aquilo que se joga fora por não ter mais utilidade”.

Para falar sobre regionalismo, convidamos a coordenadora do curso de Letras da Faculdade São Luís de França, Sara Rogéria. Ela conta que todas as regiões do país possuem variações linguísticas, palavras típicas próprias de suas localidades, que surgem a partir dos sujeitos que compõem os grupos sociais, que moram nesses lugares e chegaram através de processos migratórios e escravizadores, compondo a formação étnica social brasileira.

Voltando à expressão “basculho”, a coordenadora Sara conta que esta gerou estranhamento dentro e fora do programa devido ao fato de desconhecermos a variação linguística do país, que se deve ao fato de o Brasil ter dimensões continentais. Estes fatores, aliados à variação histórica dos vocábulos, que mudam com o decorrer do tempo, da variação social (termos utilizados por determinados grupos), da variação regional (onde se encaixa a palavra basculho) e da variação de estilo, influenciam na composição linguística brasileira. 

“O regionalismo aponta para uma riqueza linguística enorme. Por exemplo, aqui no Nordeste, em nossos nove estados, chamamos de formas diferentes a mesma coisa, a mesma situação. Voltemos para ‘basculho’, a palavra dita no programa, que eu não conhecia o significado e está relacionada ao termo “paia” em Sergipe. Aqui em Aracaju, quando nos referimos a uma coisa que não tem tanta importância e que pode ser vista como inferior, dizemos “que paia!”, disse Sara, que lançou um questionamento: e em Alagoas e Pernambuco (onde há polos do Grupo Tiradentes), como é chamado algo de menor valor e menos significância? 

Sara ainda deu uma dica para os sergipanos ou nascidos em outros estados do Nordeste: “indico a vocês que moram em Sergipe, ou que queiram conhecer um pouco dessa variação linguística que nós temos, um perfil no Instagram chamado ‘Sergipanês’. Lá os produtores de conteúdo fazem algumas brincadeiras e perguntam “Como você diz tal coisa?”. Isso nada mais é que uma prática de variação regional”, complementa. Algumas postagens desse perfil trazem expressões como “levar carão, levar topada, e mangar”, que nada mais são que “levar bronca, tropeçar e rir de algo ou alguém”, respectivamente.

Em Alagoas, existem as expressões “estribado”, “farrapona” e “ficar peidado”, que significam “gente rica, alguém que marca compromisso com outras pessoas e não cumpre, e ficar com raiva”, nesta ordem. Já em Pernambuco, “arenga” é briga, “deixar de pantim” é deixar de exagero, frescura, e “acochado” pode significar “junto, agarrado, apertado, ou dar uma lição em alguém”, a depender do contexto.

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